A CPI da Câmara dos Deputados esteve segunda e terça-feira em Coari para apurar uma denúncia de envolvimento do prefeito Adail Pinheiro (PRP-AM) com uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes
Presidente da CPI da Pedofilia, deputada federal Erika Kokai, durante audiência realizada no campus da Ufam em Coari
A
presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a
exploração sexual de crianças e adolescentes em todo o Brasil, deputada
federal Erika Kokai (PT-DF), afirmou nesta terça-feira (09) que vai
denunciar o caso de Coari a órgãos como o Ministério da Justiça, da
Controladoria Geral da União (CGU), do Conselho Nacional de Justiça
(CNJ), do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente
(Conanda) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A
CPI da Câmara dos Deputados esteve segunda e terça-feira no município
(a 325 quilômetros de Manaus) para apurar uma denúncia de envolvimento
do prefeito Adail Pinheiro (PRP-AM) com uma rede de exploração sexual de
crianças e adolescentes. A denúncia mais recente contra Adail, de maio
do ano passado, dá conta de que ele teria tentado aliciar uma menina de
12 anos. O prefeito e mais oito pessoas ligadas a ele não atenderam à
convocação da CPI para depor. Érika Kokay afirmou, ontem, que se for
necessário, pedirá o uso da força policial para levar todos perante a
comissão.
“Nós
vamos convocar essas pessoas e solicitar, se necessário, a condução
coercitiva por parte da polícia. O prefeito apresenta atestado médico
que não pode comparecer ao depoimento. Esperamos que ele se recupere com
muita saúde, porque será chamado para depor em Brasília. Não só ele
como todos aqueles que fugiram do município. Houve uma fuga do município
para que não pudessem ser notificados pela policia. É inadmissível”,
disse Érika Kokay.
Na
segunda-feira, a CPI ouviu dez pessoas, que teriam confirmado à
comissão a prática de exploração sexual no município. Os nomes não foram
divulgados. Mas, entre os ouvidos, estava a menina de 12 anos e a mãe
dela. A imprensa não foi autorizada a acompanhar os depoimentos. Para
esta terça-feira, estavam programados os depoimentos de Adail e outras
oito pessoas, ligadas ao prefeito.
Segundo
a presidente da CPI, a Polícia Federal (PF) não conseguiu localizá-los.
“E pelo relato dos familiares deles aos policiais, eles saíram da
cidade de forma açodada. Fugiram para não serem notificados”, afirmou
Érika Kokay. Apenas Adail justificou a ausência. O prefeito enviou cópia
de atestado médico, informando que passou por uma cirurgia, no hospital
Sírio Libanês, em São Paulo, no dia 7, com previsão de alta para
amanhã. O documento é assinado pelo urologista Celso Gromatzky (CRM-SP
45443).
Um
dos advogados do prefeito, Rodrigo Porto, esteve em Coari, e disse que o
cliente dele estará à disposição da CPI assim que se recuperar. Porto
afirmou que Adail é inocente. “O inquérito policial não consta nem o
tipo de crime nem o nome do indiciado, porque não é possível
identificar”, ressaltou.
Advogado desqualifica apuração
O
advogado de Adail Pinheiro, Rodrigo Porto, desqualificou a presença da
CPI da Câmara dos Deputados em Coari. E disse que adversários políticos
do atual prefeito, como o empresário Raimundo Magalhães (PRB), deram
conotação política à ida da comissão ao município. “A CPI só está
ouvindo apoiadores do Magalhães. Temos áudio dele afirmando pelas ruas
da cidade de que foi ele quem trouxe a CPI”, acusou Rodrigo. O advogado
prometeu entregar o material à deputada Érika Kokay.
A
parlamentar retrucou as provocações do advogado de Adail Pinheiro. “A
defesa deveria está preocupada é em proceder uma boa peça para isentar o
acusado. Porque as denuncias são muito graves e as evidências muito
fortes. Está fora da esfera da defesa opinar sobre o trabalho da CPI”,
afirmou Érika Kokay. Magalhães não atendeu no 81xx-xx65.
‘Município está contaminado’
A
presidente da CPI que investiga a exploração sexual de crianças, Érika
Kokay, disse que vai pedir que o Conselho Nacional de Defesa dos
Direitos da Criança e do Adolescente envie uma comissão a Coari para
investigar a exploração sexual de crianças.
A
deputada afirmou que também levará o caso à CGU. “O município, em
vários momentos, está contaminado por uma rede de exploração sexual a
serviço do prefeito e, supostamente, bancada com recursos públicos”,
disse Kokay.
No
CNJ, a presidente da CPI disse que vai pedir intervenção do órgão para
cobrar celeridade no julgamento de processo de 2008 contra Adail
Pinheiro, acusado de chefiar rede de exploração sexual de menores.
Érika
Kokay disse que pedirá ao Ministério da Justiça que apure a conduta das
autoridades policias em Coari. “Há indícios de que a posição da polícia
à época da denúncia não foi com isenção”, comentou.
MATÉRIA ACRITICA.COM.BR
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