Estudos
recentes avaliaram o impacto de um tratamento simples em pacientes
infectados pelo tipo Plasmodium falciparum. Trata-se ingestão do chá das
folhas de Artemísia annua, uma planta originaria da Ásia, mas com excelente adaptação na região amazônica.
Chá feito com a planta mostrou-se um eficaz tratamento alternativo ao convencional no tratamento da doença
O
estudo, conduzido pelo pesquisador do Centro Pluridisciplinar de
Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Universidade Estadual de
Campinas (CPQBA/Unicamp), Pedro Melillo de Magalhães, identificou
resultados positivos em alguns pacientes dos grupos participantes da
pesquisa. “O uso do chá antimalárico foi analisado em algumas cidades
brasileiras em que a incidência da doença é grande. Os resultados foram
significativos e comprovaram a eficácia do potencial terapêutico da
ingestão de artemisinina, substância extraída do topo da planta”,
explicou.
Magalhães
afirma que o produto pode ser uma alternativa para comunidades que
vivem em regiões de difícil acesso na Amazônia, da mesma forma como está
sendo aplicada em países africanos. “A forma de infusão das folhas vem
sendo adotada com sucesso em alguns países da África, no Brasil
testamos a infusão em alguns municípios do Amazonas e do Pará e os
resultados confirmaram o potencial para o tratamento da malária”,
informou.
Ele
ressaltou que esse é um estudo ao qual o grupo se dedica há mais de 20
anos. Ele defende a possibilidade de usar as folhas da planta como uma
forma terapêutica simples, porém utilizando alta tecnologia. “Todos nós
sabemos que o tratamento da malária precisa ser bem conduzido e isso
envolve uma série de etapas como medicamentos eficazes, diagnósticos e
atendimentos rápidos, além do acompanhamento médico em todo o processo. A
substância extraída da planta pode gerar derivados importantes na
terapia da doença”, disse.
No
Brasil, a malária é causada por duas espécies de plasmódios, pelo
Vivax, que é a forma branda, e pelo Falciparum, a grave. O chá utilizado
há séculos nos países asiáticos para tratar a febre da malária só tem
efeito para a forma branda da doença. “Para as formas graves pode
inclusive criar resistência para o protozoário, como já aconteceu com
outras substâncias”, alertou.
Matéria-prima brasileira
Atualmente,
a matéria-prima para a elaboração dos medicamentos usados no tratamento
da malária é importada da China e do Vietnã. “O grande problema é que o
material importado apresenta variações grandes no teor de pureza,
resultando num produto sem padronização. E é importante o país ser
autossuficiente na produção de um medicamento necessário”, disse o
pesquisador.
No
Brasil, as pesquisas buscaram adaptar a artemísia às condições
tropicais e otimizar a produção da artemisinina contida nas suas folhas
para, dessa forma, produzir em escala industrial o medicamento.
MATÉRIA ACRITICA.COM.BR
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