O Senado aprovou nesta quarta-feira (7), em dois turnos, a PEC (Proposta
de Emenda à Constituição) que autoriza que médicos militares trabalhem
em postos e hospitais civis fora de seu expediente militar.
A medida vale para médicos militares das três Forças Armadas, dos Bombeiros, e para profissionais na ativa e aposentados.
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Segundo o ministro Alexandre Padilha (Saúde), a proposta pode trazer
benefícios à rede pública de saúde, porque liberará os médicos militares
a darem plantões no SUS à noite e nos finais de semana.
E, no caso de médicos que têm jornada semanal de trabalho de 20 horas na
esfera militar, a medida permite que esses profissionais trabalhem um
segundo turno em hospitais civis.
"Vários municípios brasileiros que não têm médico para atender à
população têm batalhões do Exército, da Marinha, estruturas da
Aeronáutica, e o médico só pode trabalhar dentro do hospital militar.
Alguns deles só cumprem 20 horas na estrutura militar, poderiam
complementar atendendo à população que mais precisa (...) Também
interessa aos profissionais médicos", defendeu Padilha nesta quarta.
O texto permite que o médico militar atue tanto na rede pública quanto
na privada. Para o relator da PEC, senador Eduardo Lopes (PRB-RJ), o
profissional acabará indo para o SUS.
"As áreas mais necessitadas [de médicos] são o Norte e o Nordeste, onde o
militar tem pouca opção de trabalho em locais privados. Eles já estão
nos rincões, quase só tem oportunidade de ir para o SUS", explica o
senador.
Padilha estimou em 6.000 médicos os profissionais atingidos pela
proposta. O Ministério da Defesa afirma que são 3.800 os médicos
militares hoje na ativa. O relator da PEC calcula que, reunindo
militares da ativa e aposentados, a proposta pode alcançar 7.000
médicos.
Segundo a Defesa, a maior parte dos médicos militares trabalha sob o
regime de 40 horas, jornada alterada a partir das necessidades locais e
pelos comandos de cada área. A pasta não soube informar a localização
exata desses médicos, disse apenas que eles estão mais presentes em
capitais e nos grandes centros.
A medida foi tratara pelo ministro Padilha como mais uma tentativa de aumentar o número de médicos na rede pública de saúde.
A principal estratégia do governo federal para tanto é o programa Mais
Médicos, que teve baixa adesão dos profissionais. Foram preenchidas
apenas 6% das vagas abertas, o que atende à demanda de somente 11,5% dos
municípios cadastrados no programa.
A maioria dos médicos que confirmaram sua adesão ao programa escolheu
atuar nas capitais e regiões metropolitanas, deixando em aberto vagas
nas cidades do interior de maior vulnerabilidade social.
O ministro da Saúde acompanhou, do plenário, a aprovação da PEC dos médicos militares. O texto segue para avaliação da Câmara.
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